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Primavera: o bailado dos pólenes e da febre dos fenos

A Primavera é uma sinfonia de sons, cores, aromas e sabores. Árvores e “verduras” – gramíneas, cereais e ervas variadas dançam ao sabor do vento e libertam pólenes com intensidade variável. O vento, a humidade, a temperatura, a chuva ou a secura ambiental são fundamentais na quantidade de pólenes que permanecem no ar. 

Para a maior parte das pessoas, a “sinfonia polínica” não é um problema. Contudo, para cerca de uma em cada quatro pessoas, a época “dos pólenes”, que se inicia na Primavera mas que pode prolongar-se até ao final do Outono, pode ser muito incómoda. Olhos vermelhos e com comichão, lacrimejo frequente, espirros, nariz a correr e muitas vezes congestionado são algumas das expressões mais frequentes das alergias sazonais.

E o que se passa? Bem, ao invés de tolerarem a exposição aos pólenes, as pessoas que têm alergia a estes têm uma reacção muito exagerada aquando do contacto. Assim, estão “sensibilizadas” aos pólenes, podendo isto ocorrer para um único tipo de pólen (p.ex., oliveira), a uma única “família” de pólenes (p.ex., gramíneas ou ervas), ou a várias famílias de pólenes. Cada pessoa sensibilizada só tem problemas com os pólenes para os quais está sensibilizada, mas tolera os outros.

Quando uma pessoa com “rinite alérgica” ou “febre dos fenos” inala pólenes aos quais está sensibilizada, esses pólenes, ao ficarem depositados nas fossas nasais, fazem com que as células do nariz produzam substâncias (p.ex., a histamina) que levam a que surjam espirros e a que os vasos sanguíneos do nariz se dilatem. Isto contribui para o nariz ficar “tapado”, mas também ajuda a que o nariz pingue. Para o “pingo” do nariz, também contribui a produção de muco muito diluído. Finalmente, as células do revestimento do nariz também produzem substâncias que chamam glóbulos brancos do sangue (p.ex., eosinófilos), o que é um tipo de inflamação e contribui para que o nariz fique tapado. Assim, a rinite alérgica é uma inflamação alérgica.

E como se sabe se é uma rinite alérgica sazonal ou uma constipação? Bem, geralmente, os episódios de rinite alérgica são mais prolongados, não se acompanham de febre nem de dores musculares, e os sintomas pioram claramente quando as pessoas estão fora de casa (no exterior, a inalar pólenes!). Mas, para se ter a certeza do diagnóstico, é necessário consultar um médico e efectuar estudos. Estes incluem avaliar se há níveis elevados de um anticorpo chamado IgE (um indicador de alergias), específico contra os pólenes. Também é possível fazer-se testes de alergia, na pele. Se forem positivos, confirmam alergia aos pólenes.

E o que se pode fazer? Em primeiro lugar, prevenção simples: evitar estar ao ar livre por períodos prolongados, nos dias mais ventosos; evitar arejar a casa muito cedo ou ao final do dia; andar de carro com as janelas fechadas; não secar a roupa de cama ao ar livre; após uma ida ao campo, tomar banho e mudar de roupa; não tratar do jardim (ou fazê-lo com máscara); aplicar óleo mineral à entrada das narinas, nos dias mais ventosos, ou se for ao campo, para evitar que os pólenes entrem no nariz. Mas, na maior parte das vezes, estas medidas não são suficientes, e é necessário fazer tratamento regular com medicação anti-alérgica (anti-histamínicos). Se não for eficaz, é necessário acrescentar períodos com spray anti-inflamatório especial (corticosteroides) ou outras opções de tratamento. Estes tratamentos podem controlar parcial ou totalmente os sintomas, mas não têm potencial curativo, ao contrário da imunoterapia específica (“vacinas anti-alérgicas”), que pode curar a rinite numa parte dos doentes. Implica injecções ou gotas sublinguais de extractos de pólenes aos quais os doentes são alérgicos. O tratamento é efectuado em doses crescentes até que o organismo passe a tolerar o “bailado dos pólenes”. Hoje em dia, com os tratamentos adequados, é possível ter-se uma vida normal ou quase normal, na época dos pólenes!

Luís Taborda Barata - Médico Imunoalergologista (Centro Hospitalar Cova da Beira, Covilhã)

Professor Catedrático de Medicina, Faculdade de Ciências da Saúde, Universidade da Beira Interior (Covilhã)